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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
DIREITO AERONÁUTICO E ESPACIAL
 

Ideias para fortalecer a Política Espacial Europeia

Daniël Konrad Link *

O Centro Europeu de Direito Espacial (European Center for Space Law – ECSL) – fundado em Maio de 1989 – organiza desde 1992 o Curso de Verão em Direito e Política Espacial. O curso é estruturado em aulas/lectures e projetos elaborados pelos alunos (Simulation of an International Call for Tenders – Simulação de Chamada Internacional de Propostas).

Para a realização dos projetos, o Prof. Philippe Achilleas, da Universidade Paris-Sud 11, já no primeiro dia dividiu os alunos em grupos, estimulando (a) o equilíbrio entre os alunos, segundo a formação acadêmica de cada um; e (b) o multiculturalismo.

Cada grupo, como se fosse uma firma de consultoria, deveria entregar um projeto escrito e apresentá-lo oralmente a uma banca de especialistas, defendendo sua viabilidade e contratação.

Em Rijeka, na Croácia, a banca foi composta pelo ex-Presidente do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior, Dr. Gerard Brachet e pelos Professores Lesley Jane Smith, Vesna Crnic-Grotic e Ingo Baumann.

Problema a ser resolvido pelos grupos de estudantes: "Após Galileo e GMES (Global Monitoring for Environment and Security; Monitoramento Global de Meio Ambiente e Segurança), elabore e proponha novo projeto espacial para a Europa, a fim de fortalecer e intensificar a política espacial comum da Europa e as relações entre ESA e União Europeia". Objetivo central: despertar a pesquisa e a criatividade dos jovens.

Eis uma rápida descrição dos três projetos apresentados:

1) Astarte – Space Elevator – propôs a construção de um elevador espacial na Guiana Francesa. Argumentou que tanto a União Europeia como a ESA usufruiriam dos benefícios do elevador espacial. Seria uma forma de acesso independente ao espaço para humanos e cargas úteis (payloads), como satélites, experimentos e até transporte para a Estação Espacial Internacional). Geraria receita ao comercializar transportes até o espaço. Este foi considerado o melhor projeto escrito.

2) EDAS – European Debris Avoidance System – propôs um sistema espacial para rastrear dejetos espaciais e satélites em funcionamento, a fim de evitar colisões e situações de perigo para astronautas, bem como litígios e indenizações, e assegurar os investimentos feitos em constelações de satélites e serviços essenciais à sociedade. Este projeto ganhou o segundo lugar.

3) Argo – propôs diferentes rotas para voos suborbitais tripulados com fins comerciais (não turísticos), ligando Europa, América do Norte, Oriente Médio e Ásia. A ideia seria construir um centro espacial europeu na ilha de Alderney, Reino Unido, no Canal da Mancha. O serviço promoveria relações de paz e amizade entre as regiões e pouparia o tempo de viagem de empresários, autoridades de governo e artistas, gerando, num único dia, mais receita que a venda de passagens suborbitais.

Os próprios alunos escolheram e definiram seus projetos, procurando atender a necessidades europeias atuais de serviços. Cada "firma de consultoria" viu-se obrigada a considerar aspectos políticos, administrativos e gerenciais no processo de elaboração do projeto, nas áreas estratégicas, financeiras, jurídicas, entre outras.

Ao avaliar os ótimos resultados acadêmicos da Simulation of an International Call for Tenders, para desenvolver o conhecimento do tema e o espírito de liderança em seus alunos, o ECSL decidiu, em 2011, dar mais tempo aos grupos para a elaboração de seus projetos. Algumas aulas da segunda semana do curso tiveram que ser canceladas.

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* Membro da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA) e de seu Núcleo de Estudos de Direito Espacial (NEDE), onde expôs sua experiência com relação ao curso do ECSL, do qual foi aluno em época recente e agora atuou como tutor, orientando os estudantes. Foi tutor dos grupos que propuseram, respectivamente, os projetos EDAS e Argo.

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Veja também:
O que eu vi e aprendi no Curso de Verão do Centro Europeu de Direito Espacial.

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